Casamento Civil

No intuíto de divulgar aos amigos e informar aos que vi por aqui ou por ali discorrendo sem nexo sobre: “Caso candidato fulano ganhar, casamento de gays vai ser obrigado na igreja”. Com ajuda do texto do Paulo Simas, seguem as informações.

Casamento civil não é uma “questão religiosa”. Não importa se é homossexual, bissexual, panssexual ou heterossexual. Está no parágrafo primeiro do artigo 226 da Constituição Federal: “O casamento é civil e gratuita a celebração”. Se é civil não pode ser religioso, oras.

Civil é o “que não é militar nem eclesiástico ou religioso”, já ensina o Dicionário.

Enquanto um é um ritual feito num templo por um sacerdote, o outro é um procedimento jurídico conduzido num cartório por um juiz de paz. Coisas bem diferentes, não?

É certo que o casamento civil originou-se do religioso, e talvez daí decorra a confusão que a maioria das pessoas faz. Mas a partir do momento em que virou lei, que entrou na esfera do Estado, deixou de ter qualquer relação com religiões. É assim que funciona num Estado laico, como o brasileiro. Aliás, é exatamente por essa razão que o casamento civil foi criado: para acabar com a exclusividade religiosa sobre as uniões amorosas, fortalecendo o papel do Estado que nada tem a ver com o da Igreja.

No entanto, muitos presidenciáveis e sacanas insistem em tratar o assunto como algo sagrado, místico, numa tentativa clara de agradar às lideranças cristãs.

E por último, pessoas com um mínimo de instrução ou discernimento, saberão que alguém só casará na SUA igreja e na SUA religião se participar da mesma. Um casal só vai querer casar em determinada religião, se ele já frenquenta suas igrejas, acredita e respeita seus dogmas e é apoiado pelos demais fieis/irmãos.

5 comentários

  • E o pior é que, sob esse discurso tratado na esfera religiosa, a Marina Silva propõe plebiscitos para temas polêmicos, como aborto e casamento entre homossexuais. Dessa forma, o Estado vai se abster do seu papel de tratar todos igualmente perante a lei e deixar o povo debater isso.

    Mas e aí? Depois vamos deixar o povo discutir Economia também? O que o povo entende de dívida externa, de Risco Brasil? Pra mim, o mesmo que entende de leis que regem o casamento.

    Quando eu escolho um candidato, eu estou delegando a tarefa de tomar essas decisões para alguém cujas colocações pareçam as minhas, mas que tenha mais competência para tanto. Não quero plebiscitos.

  • Eu vejo esse assunto na esfera política como uma forma de fazer propaganda, nada mais que isso. Não li o post que você citou, mas você deixou bem claro a diferença do casamento civil para o religioso.

    Eu considero isso uma falação dos políticos e nada relacionado a isso vai mudar a decisão sobre o meu voto.

  • texto perfeito
    sem arestas a aparar..sem nada a acrescentar!
    O estado brasileiro se separou da igreja desde a proclamação da República.

    É uma que algumas pessoas ainda sejam inocentemente manobradas por falácias.

  • O texto é bem claro.
    O problema das confusões entre religião e Estado perpassa pela formação histórica local. Mas isso pode e dever ser esclarecido. Tarefa árdua, porém possível.

    Contrário ao Esdras, acredito na participação popular nas decisões.

    Saudações Geográficas

  • Bom post.

    O ar místico nunca atingiu ninguém, atingiu ? Em uma eleição, querem se abastar de seguidores, mitigam setores com insólitos depoimentos.

    Neste quesito, vou muito com a cara limpa do ex-candidato do Partido Socialismo e Liberdade, que felizmente não procura enganar ou fazer desvios de oralidade.

    A sociedade e nós mesmos continuaremos a amadurecer, dolorosamente.

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