Dados abertos (open data)

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Posted on : 05-04-2011 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Cultura, Mundo, Software Livre, Tecnologia

Segundo o W3C, dados governamentais abertos são a “disponibilização de informações governamentais representadas em formato aberto e acessível de tal modo que possam ser reutilizadas, misturadas com informações de outras fontes, gerando novos significadosâ€.

Desta forma, os dados governamentais abertos não são apenas a publicação na Web de informações ou tabelas de dados legíveis apenas por pessoas, mas sim a publicação de informações do setor público, disponibilizadas em formato bruto e aberto, compreensíveis logicamente, de modo a permitir sua reutilização em aplicações digitais desenvolvidas pelo governo, pela sociedade ou qualquer outro interessado no desenvolvimento desse tipo de aplicação.

Dados governamentais abertos promovem o aumento do discurso civil, a melhoria do bem-estar público e o uso mais eficiente dos recursos públicos. No entanto, a abertura dos dados não acontece por si só. Há várias questões tecnológicas, culturais e legais que precisam ser analisadas para que se possa colher os benefícios dessa abertura.

O especialista em políticas públicas, David Eaves, criou 3 leis para dados governamentais:

1. Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe;

2. Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; e

3. Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil.

Dados governamentais geralmente são disponibilizados on-line normalmente por 3 motivos:

• Aumentar a consciência cidadã das funções de governo para permitir maior responsabilidade;
• Contribuir com informações valiosas sobre o mundo; e
• Permitir que o governo, o país e o mundo funcionem com mais eficiência.

Para satisfazer melhor cada um destes objetivos, uma das melhores opções é a utilização de técnicas de linked data. Em geral, os linked data são:

- Abertos: pode-se acessar Linked Data através de uma variedade ilimitada de aplicações e aplicativos, pois ela é expressa em formatos abertos, não-proprietários.

- Modulares: os Linked Data podem ser combinados (agregados) com quaisquer outros linked. Nenhum planejamento antecipado é necessário para integrar essas fontes de dados, já que ambas utilizam os padrões de Linked Data.

- Escaláveis: É fácil adicionar mais Linked Data aos já existentes, mesmo quando os termos e definições utilizadas mudem ao longo do tempo.

Vagner Diniz, gerente do W3C Escritório Brasil, defende que os órgãos interessados em publicar dados governamentais abertos precisam seguir três passos básicos:

• Selecionar quais dados serão disponibilizados e identificar quem os controla;
• Representar esses dados de uma maneira que as pessoas possam reutilizá-los; e
• Publicar os dados e divulgar.

O OpenDataGov.org, estabelecido na Califórnia (EUA) em 2007, desenvolveu 8 princípios que devem ser respeitados para que dados governamentais que forem disponibilizados publicamente sejam considerados abertos:

1. Completos: Todos os dados públicos estão disponíveis. Dado público é o dado que não está sujeito a limitações válidas de privacidade, segurança ou controle de acesso.

2. Primários: Os dados são apresentados tais como os coletados na fonte, com o maior nível de granularidade e sem agregação ou modificação.

3. Atuais: Os dados são disponibilizados tão rapidamente quanto necessário.

4. Acessíveis: Os dados são disponibilizados para o maior alcance possível de usuários e para o maior conjunto possível de finalidades.

5. Compreensíveis por máquinas: Os dados são razoavelmente estruturados de modo a possibilidar processamento automatizado.

6. Não discriminatórios: Os dados são disponíveis para todos, sem nenhuma exigência.

7. Não proprietários: Os dados são disponíveis em formato sobre o qual nenhuma entidade detenha controle exclusivo.

8. Livres de licenças: Os dados não estão sujeitos a nenhuma restrição de direito autoral, patente, propriedade intelectual ou segredo industrial. Restrições sensatas relacionadas à privacidade, segurança e privilégios de acesso devem ser permitidas.

Para saber mais
- BERNERS-LEE, Tim. Linked Data [S.l.: s.n], 2006. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html
- BERNERS-LEE, Tim. Putting Government Data online [S.l.: s.n], 2006. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/GovData.html
- COMITÊ GESTOR DE INTERNET NO BRASIL. Dados governamentais abertos. 2009. Apresentação no Seminário “Acesso à informação, serviços eletrônicos e cidadaniaâ€. Disponível em: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/anexos/apresentacao-w3c
- EAVES, David. The three laws of open government data. 2009. Disponível em: http://eaves.ca/2009/09/30/three-law-of-open-government-data/
- OPEN government data definition: the 8 principles of open government data. [S.l.: s.n], 2007. Disponível em: http://www.opengovdata.org

Plante sua árvore

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Posted on : 03-04-2011 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Cultura, Diarinho, Mundo

Ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Dizem ser a receita para uma vida completa, mas como plantar nossa árvore?

Desde que nasci, escuto falar que a amazônia é o pulmão do mundo, que as florestas precisam ser respeitadas, que da preservação ambiental natural depende o futuro da maioria dos seres desse planeta e mais uma porção de enuciados ecológicos. Porém, também da natureza é de onde o homem extrai e retém as riquezas que movem a economia mundial. O grande dilema das últimas décadas é: Como fazer desenvolvimento sustentável?

Sempre digo que apostar e consumir das empresas que praticam sustentabilidade ambiental ou autosustentabilidade já é um grande passo. Empresas que fazem reflorestamento, que dão tempo à natureza de recompor seus recursos renováveis, que incentivam e exercitam a preservação das árvores devem servir de exemplo as demais, estimular esse consumo eficiente é plantar nossa árvore.

Devemos atentar ainda que não só as florestas devem conter nossas árvores, existe um índice de desmatamento nas grandes cidades tão alarmante quanto o das florestas, em Fortaleza, por exemplo, perdemos 90% de cobertura vegetal em 35 anos. É absurdo. Reinvindicar novas leis de preservação, uso e ocupação do solo também é plantar árvores.

Primeira obra de física teórica faz aniversário

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Posted on : 05-07-2010 | By : Mário Aragão | In : Citações, Cultura, Mundo

Publicada em 5 de julho de 1687, O “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” – “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” – é a primeira obra de física teórica, no sentido moderno.

Chamado por alguns apens de “Principia” ou “Principia Mathematica”, o livro foi escrito pelo matemático e filósofo inglês Isaac Newton (1643- 1727). O volume traz as famosas leis de Newton, presentes em todos os livros de física do ensino médio de hoje. Além de lançar as bases da mecânica, o título possui importância histórica e reconhecido valor pedagógico.

Fonte: Livraria da Folha

Google Dictionary

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Posted on : 07-12-2009 | By : Mário Aragão | In : Citações, Google, Mundo, Tecnologia

o Google anunciou mais um serviço, lançou o Google Dictionary, recurso que traz definições, sinônimos e expressões idiomáticas usadas em 28 idiomas. Trata-se do primeiro dicionário gratuito capaz de traduzir, por exemplo, o phrasal verb, verbo presente na língua inglesa que não pode ser traduzido literalmente.

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Ainda em fase Beta, o dicionário da Google promove também uma convergência com definições participativas presentes na Wikipedia, característica presente no Babylon, tradutor muito conhecido, não gratuíto, na web.

Fonte: Vida em Rede

Chrome para Mac quase pronto

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Posted on : 30-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Citações, Google, Mundo, Software Livre, Tecnologia, tirinhas

O Google lançará em breve a versão beta do navegador Chrome para Mac OS. Apenas oito bugs estão emperrando o lançamento, mostrou nesta segunda-feira (30/11) o banco de dados de rastreio de bugs do Google. Apenas dois são marcados como Prioridade e ambos envolvem o fechamento do programa quando o navegador tenta apresentar conteúdo no formato Flash, da Adobe. (ainda acha que só eu implico com essa joça?)

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Para tristeza dos usuários da Maçã, diversos recursos disponíveis para usuários de Windows ainda não estarão presentes nesta versão beta para Mac.

A lista de ausências inclui o Bookmark Manager, o App Mode e a Bookmark Synchronization. Também não haverá suporte para extensões, informou hoje o TechChrunch.

“Não haverá extensões para betaâ€, disse pelo twitter @mikepinkerton, um líder técnico para o Chrome do Mac, “Mas teremos isso logoâ€.

Edições para desenvolvedores de Chrome para Mac e Linux foram liberadas em junho, mas o Google alertou os usuários casuais de que essas versões são potencialmente instáveis.

Em outubro, o Chrome respondeu por cerca de 3,6% do mercado de navegadores, de acordo com estatísticas da empresa de métricas na web NetApplications.

E para desopilar, uma tirinha:

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Murdoch quer fechar com a Microsoft

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Posted on : 30-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Citações, Cultura, Google, Mundo, Tecnologia

O velho Rupert Murdoch, fundador da News Corp., o quinto maior conglomerado de mídia do mundo que controla canais de TV como o Fox, jornais como o Wall Street Journal e o britânico The Times, continua tentando desafiar o Google. Para isso, articula um acordo inédito, segundo o qual a Microsoft pagaria para ter acesso exclusivo aos links das publicações da News Corp., por meio do Bing, a ferramenta de buscas da companhia de Bill Gates, ou seja Google News ficaria de fora. O pessoal da News Corp., ao contrário de todos na internet, evitaria os algoritmos de busca do Google.

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Pesquisa da consultoria Serasa Experian Hitwise indica que, nos Estados Unidos, o site de busca e seu agregador de informações, Google News, são responsáveis por 26,3% da audiência da versão on-line do Wall Street Journal. Esse porcentual está acima da média de publicações americanas, que é de 21,5%. No Brasil, quatro em cada dez usuários da web chegam a sites de notícias pelo Google. Para Murdoch, é burrice se manter enfeitiçado por esses números. Recentemente, ele disse que os links do Google “roubavam” as histórias de seus jornais.

Hoje, os sites de busca movimentam 33 bilhões de dólares por ano ao redor do mundo, segundo estimativa do J.P. Morgan. Desse valor, 72% vão para o Google. A Microsoft detém somente 7% do total. Murdoch parece ter encontrado um aliado na Microsoft, que procura transformar o Bing numa alternativa ao Google.

O Bing cresce lentamente no mercado americano – e Steve Ballmer, o presidente da empresa, afirma que acelerar esse crescimento, por meio de investimentos, é uma prioridade. O acordo com a News Corp. – cujos detalhes ainda são desconhecidos – seria o primeiro passo dessa estratégia.

Com informações da Veja e do InfoPlantão

Lá se foram 10 dias…

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Posted on : 01-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Citações, Cultura, Mundo

O calendário maia, dizem os apocalípticos, prevê o fim do mundo para o dia 21 de dezembro de 2012. Calendários, no entanto, são excelentes instrumentos para orientar sobre o compromisso da próxima quarta-feira, mas são um embuste para prever o futuro. As diversas civilizações – não só os maias, mas os egípcios, os chineses – criaram os próprios calendários, uns com base no Sol, outros com base na Lua, uns mais longos, outros mais curtos, mas todos sempre foram expressão da inclinação humana de atribuir ordem ao caos. Com o calendário, criamos a sensação de ordenar os dias, os meses e os anos num sistema cronológico racional e matematicamente preciso. Só que a natureza não é assim. Num delicioso livro lançado às vésperas do ano 2000, O Milênio em Questão, no qual se baseia este texto, o grande paleontólogo americano Stephen Jay Gould (1941-2002) escreveu: “A natureza, aparentemente, pode fazer um esplêndido hexágono, mas não um ano com um belo número par de dias ou rotações lunares”. E, com o humor que lhe era peculiar, acrescentou: “A natureza se recusa teimosamente a trabalhar com relações numéricas simples justamente naquilo em que sua regularidade seria mais útil para nós”.

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Ou seja: os ciclos naturais dos dias, meses e anos não são redondos, pares perfeitos. São frações, números quebrados, e aí começa um problemão. Um ano – tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol – não dura 365 dias. Dura 365 dias e algumas horas. Para facilitar a conta, arbitramos que um ano dura 365 dias e seis horas, ou um quarto de dia. Mas, como não podemos ter um quarto de dia, a cada quatro anos temos o ano bissexto, com 366 dias, o que recoloca nosso calendário em sintonia com o ano solar. Porém, a natureza, na sua magistral indiferença para com nossos números inteiros, na realidade não faz um ano de 365 dias e seis horas. São 365 dias e 5 horas, 48 minutos e 45,97 segundos! Isso quer dizer que o acréscimo do 366° dia cobre o descompasso ocorrido em cada quatro anos, mas imprecisamente. Como o tal descompasso não era de exatas 24 horas – era de 23 horas, 15 minutos e 3,88 segundos –, o ajuste feito pelo ano bissexto ainda nos deixa com um pequeno atraso em relação à natureza: um atraso de 44 minutos e 56,12 segundos a cada quatro anos. É pequeno, mas aumenta com o tempo. Em vinte anos, o atraso soma quase quatro horas. É tolerável. Em 100 anos, passa de dezoito horas. Começa a complicar. À medida que vai avançando, passa a embaralhar as estações do ano, a época certa para plantar, para colher, para pescar. Vira um, digamos, apocalipse.

Em 1582, o calendário da época, que vinha desde os tempos do Império Romano, já acumulava um atraso de dez dias em relação ao ano solar. Era demais, inadmissível. O papa Gregório XIII convocou então uma comissão de matemáticos para dar uma solução ao problema. Chegou-se a uma saída formidável. Com seu poder incontrastável sobre o destino da humanidade e do universo, o papa decretou o sumiço dos dez dias. Simples assim. Riscou fora. A humanidade foi dormir em 4 de outubro e acordou em 15 de outubro. O período de 5 a 14 de outubro de 1582 não existiu, jogando algumas dúvidas para as calendas gregas. O que aconteceu com quem fazia aniversário no período suprimido? E quem tinha conta para pagar num dia que sumiu? Pagou juros? Queixou-se ao papa? Resolvida a diferença de dez dias, a comissão achou outras soluções criativas. Para evitar que o descompasso dos anos bissextos voltasse a se alargar a longo prazo, estabeleceu que a cada século múltiplo de 100 – 1800, 1900, 2000, por exemplo – não haveria ano bissexto. Excelente. Mas a retirada do 366° dia seria provisoriamente excelente porque criaria um desequilíbrio lá adiante. Então, inventou-se outra compensação: de quatro em quatro séculos, o ano bissexto volta.

Parece confuso, mas é assim que funciona até hoje: de 100 em 100 anos, cai o ano bissexto; de 400 em 400, reinstala-se o ano bissexto. Com esses avanços e recuos, somas e diminuições, nosso calendário consegue dançar num movimento parecido com o balé irregular dos ciclos naturais. (Não é idêntico porque o calendário gregoriano ainda se distancia do ano solar em 25,96 segundos. É irrisório, leva mais ou menos 2 800 anos para chegar a um dia inteiro, mas perfeito é que não é.) Diante de tantos ajustes, a velha e boa folhinha de parede é um medidor preciso para o compromisso de quarta-feira, mas, com suas imprecisões em relação aos eventos astronômicos, não é exatamente boa para embasar previsões futuras.

Fonte: Veja

Xampu movimenta milhões

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Posted on : 27-10-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura, Mundo, Propaganda

Muito bom o último artigo de Renata Betti para a Veja. Acompanharam todo o investimento da Unilever, para transformar sua linha Seda de xampus, novamente no pupilo da classe C, que agora é uma classe exigente e que mais movimenta o país: “a classe C, público-alvo do xampu, não queria mais um produto que, agora, via como de segunda linha e muito popular

Compartilho o artigo:

Só sobrou a marca
A transformação do xampu Seda mostra tudo
o que é preciso para tentar mudar a imagem que
o consumidor tem de um produto

No dia 5 de março de 2009, um grupo de executivos da Unilever trancou-se por doze horas numa sala da sede em São Paulo para discutir um problema que, eles já sabiam, seria de difícil solução: um dos carros-chefe da empresa, o xampu Seda, líder de vendas no Brasil, perdia espaço no mercado – coisa que, desde seu lançamento, em 1968, jamais havia acontecido. As pesquisas, encomendadas pelo francês Patrick Cescau, então CEO mundial da multinacional de bens de consumo – que fatura por ano 55 bilhões de dólares, ou três vezes o PIB da Bolívia –, não deixavam dúvidas quanto à razão da queda: a classe C, público-alvo do xampu, não queria mais um produto que, agora, via como de “segunda linha” e “muito popular”. “A nova aspiração da classe C brasileira é usar xampus melhores, de preferência indicados pelos cabeleireiros”, concluía o estudo, dando início a um longo processo em que o velho Seda precisou ser inteiramente reinventado até, neste mês, chegar às lojas. Da embalagem à fórmula, só restou mesmo o nome, sobre o qual também passou a pesar certa desconfiança. Um dos testes mostrou que, às cegas, as pessoas até avaliavam bem o Seda, mas, quando sabiam tratar-se dele, as notas caíam. “Chegamos a cogitar abrir mão da marca”, diz um dos diretores da empresa no Brasil, Erik Galardi, à frente da operação que consumirá 125 milhões de reais – o maior investimento já feito pela Unilever numa marca para o mercado brasileiro, o segundo maior do mundo no segmento de produtos para cabelo, com vendas anuais de 5,4 bilhões de reais, só perdendo para o Japão.

Recriar um produto se torna, muitas vezes, imperativo para que ele sobreviva a mudanças demográficas, econômicas e de hábitos numa sociedade – mas não é um processo fácil. As empresas precisam lançar mão de um extenso repertório de técnicas já consagradas pelo marketing para fisgar o consumidor. “O público é alvo de estratégias milimetricamente concebidas para fazê-lo comprar”, diz Alejandro Pinedo, da consultoria Interbrand. Nos últimos meses, VEJA pôde comprovar isso ao acompanhar as dezenas de etapas e tomadas de decisão envolvidas no relançamento do xampu. A Unilever conduziu doze pesquisas, em que foram ouvidas 500 pessoas, parte delas sendo observada no ato da compra. Nenhuma estratégia foi traçada sem pesar tais informações, um conjunto de dados tão rico e detalhado que, tomado como base, permitiu saber até de que maneira os consumidores manuseavam o xampu no supermercado. Como o antigo frasco tinha concavidades acentuadas, era difícil pegar um na prateleira sem tirar os demais do lugar. Os produtos se desarranjavam e a marca acabava escondida – um desastre para as vendas. Até chegar ao formato atual, mais fino e convexo, criou-se uma dezena de embalagens. Elas foram sendo descartadas depois de submetidas a testes conhecidos como eye tracking, em que uma máquina monitora o movimento dos olhos e detecta os pontos que mais chamam a atenção das pessoas. Assim se decidiu, por exemplo, por um tom de roxo ligeiramente mais vibrante que o anterior. São mudanças aparentemente simples, mas que demandaram uma adaptação em todo o maquinário da fábrica.

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Os especialistas definem o desafio da Unilever como o mais complicado de todos em se tratando da mudança de imagem de um produto: fazer que os consumidores percebam como “chique” um item que há décadas é visto como popular. “A experiência mostra que elevar o conceito que as pessoas têm de uma marca é sempre muito difícil”, diz Edson Crescitelli, diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Os casos recentes da Philco e da Arno, ambas do ramo de eletroeletrônicos, ajudam a dimensionar as dificuldades. Já consolidadas na classe C, as duas decidiram, coisa de cinco anos atrás, começar também a produzir itens para estratos de renda mais altos. Por mais que investissem em inovação e marketing, no entanto, não conseguiram convencer ninguém. Pior: além de não conquistarem clientes na classe A, perderam os da C, que ficaram confusos com a mudança. No caso da Unilever, a equação é ainda mais complexa: trata-se de alterar a percepção sobre um mesmo produto. Uma das principais estratégias da empresa foi convidar para prestar consultoria técnica e estrelar campanhas publicitárias um grupo de sete cabeleireiros de renome mundial, entre os quais Yuko Yamashita, criadora da escova japonesa. Não foi fácil convencê-los a participar. A cada “sim”, havia festa no escritório. “É uma tentativa de quebrar o preconceito dos cabeleireiros brasileiros em relação ao Seda e levá-los a indicar o produto aos clientes”, diz Adriana Yamamoto, gerente de marketing da linha de xampus. “Nesse mercado, nada é melhor que o boca a boca.”

Apesar de a Unilever já ter feito ajustes em seu principal xampu antes, eles foram sempre superficiais, e às vezes malsucedidos. Em janeiro de 2008, o Seda ressurgiu em embalagens ultracoloridas e com novo logotipo, na pretensão de ganhar espaço entre xampus mais sofisticados. A propaganda foi maciça, mas o resultado, pífio: os gastos chegaram a 30 milhões de reais sem que as vendas, então estabilizadas, voltassem a subir. “Foi um erro primário. As pessoas perceberam no ato que o produto não havia realmente mudado”, reconhece o diretor Erik Galardi. Desta vez, nada ficou de pé. A fórmula, que era composta de ingredientes “de nível inferior”, segundo a própria Unilever, ganhou ingredientes 20% mais caros. Espera-se com isso reduzir as queixas que circulam na internet de que o Seda deixa o cabelo “armado” ou “parecendo palha”. Quanto à fragrância, que desaparecia por ausência de fixador na fórmula, agora ela é duradoura – o que, segundo as pesquisas, se tornou pré-requisito para as brasileiras. Nem a textura ficou como antes. Líquida demais, aos olhos da nova classe C ela passou a ser identificada com produtos de pior qualidade. Ao colocarem uma porção do velho Seda nas mãos, as pessoas desistiam de comprá-lo, como foi observado em supermercados de todo o país. Daí a atual consistência, mais espessa. Tais melhorias elevaram os custos de produção em 20%, enquanto o preço final do xampu encareceu apenas 10%. “Fomos forçados a encolher as margens de lucro para manter o preço acessível”, diz Galardi. O teto para gastos com xampus na classe C é de 5 reais – o Seda subiu de 4,30 para 4,80 reais.

Os grandes planos de uma empresa global como a Unilever são traçados com no mínimo quatro anos de antecedência e vêm da matriz, em Londres. Assim, ficou estabelecida, no início de 2008, a meta de que a operação da multinacional no Brasil, hoje a terceira do grupo, se tornaria a segunda mais rentável da Unilever até 2012 – ultrapassando a dos Estados Unidos e perdendo apenas para a da Inglaterra. Há, no entanto, espaço para mudanças de rumo diante de situações inesperadas, como foi o caso do xampu Seda. Com as vendas caindo mês a mês no Brasil em 2008, foi a própria matriz que tomou a decisão de transformar o produto, deixando as estratégias por conta dos executivos brasileiros. Como em nenhum outro país se consome mais Seda do que aqui (trata-se de aproximadamente 20 milhões de unidades por mês), o negócio se justifica. Pouco a pouco, o mesmo produto substituirá a antiga versão nos 100 países em que a Unilever está presente – só que com nomes diferentes (Sedal, em países de língua espanhola, e Sunsilk, nos demais). Hoje, o segmento de xampus no Brasil é muito diferente daquele do fim da década de 60, quando a maioria dos brasileiros ainda lavava o cabelo com sabão de coco. De menos de cinco fabricantes no país, chegou-se aos atuais 2.000. A Unilever detém 34% do mercado, que faturou 1,7 bilhão de reais em 2008. É um bom quinhão, que a concorrência, no entanto, tornou mais difícil manter.

Twitter em Manutenção

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Posted on : 16-06-2009 | By : Mário Aragão | In : Cultura, Imagens, Mundo, Tecnologia, twitter

E a tão temida manutenção do twitter começou agora às 18hs de terça-feira.

twitter

Pós-Post: Durou cerca de uma hora o bastante para deixar muito viciado nervoso.

Facebook faz cérebro regredir

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Posted on : 25-02-2009 | By : Mário Aragão | In : Cultura, Mundo, Saúde, Tecnologia

Uma pesquisadora da Universidade de Oxford disse que navegar muito por redes sociais, como o Facebook, pode fazer o cérebro regredir.

A pesquisadora disse que o uso freqüente de sites como o Facebook pode deixar o cérebro do usuário acostumado a breves intervalos de atenção e torná-lo mais propenso a querer viver apenas o momento.

No mundo real, esta pessoa teria dificuldade em desempenhar tarefas que exigem mais tempo de concentração.

Isso é lá nos Estados Unidos, por isso o exemplo com o FaceBook que é mais usado, agora imagina o tamanho da regressão cerebral com o Orkut aqui no Brasil. =P

Leia matéria completa de Daniela Moreira, na INFO Online.