Padre Wilson

Padre Wilson era figura popular em Itapipoca, cidade do interior do Ceará. Simpático, camarada, atencioso e paquerador, gostava mesmo era de tomar cerveja e jogar sinuca no bar da esquina. “Um puta sujeito!“, diziam os amigos. As beatas, mesmo com vista grossa, adoravam o vigário.

Dizem que certa vez, logo cedo, Padre Wilson chegou no bar para jogar com seus amigos e teve a triste surpresa de não encontrar mais ali a velha mesa de sinuca:

– O quê houve? – indagou o herói.
– Infelizmente, como o senhor sabe, nossa sinuca era arrendada e o dono pediu de volta, disse que nós não dávamos lucro. – disse Zé Afrânio o dono do botequim.

Padre Wilson torceu o lábio e retrucou:

– Quanto custa uma sinuca?
– 750! Lá no Lorin. – gritou um dos colegas.
– Deixe estar, deixe estar… Até o fim do dia, teremos nossa comapanheira de volta e desce uma gelada pra mim pelo amor de Deus.

O tempo passa e todos ficam cada vez mais curiosos sobre como será solucionado o problema.

Meio-dia em ponto, chega a Beata Maria das Dores a frente do bar e chama Padre Wilson:

– Padre Wilson, como o senhor sabe e como lhe falei ontem, amanhã faz um mês que a mamãe morreu e gostaria muito de fazer uma missa em homenagem a ela, também sei que o senhor não faz missas às quarta-feiras, mas essa data é muito importante pra mim, comadre Joana me disse da possibilidade de fazer a missa paga, de acordo com as normas da Diocese. Quanto custa?

Padre Wilson virou para os camaradas do bar, com um olhar de vitória, voltou-se novamente para a Beata e disse:

– Dona Maria, tem missa de 500, 1000 e 1500… – Pausou, respirou fundo e continuou como quem fofocasse: – Mas se fosse a senhora faria a de 1000 ou a de 1500 porque a de 500 é fulerage!

Não preciso dizer que aquele dia terminou com um belo brinde e uma rodada paga por Padre Wilson:
– Deus nunca falha meus amigos!

É já não fazem padres como antigamente.

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