Encontrão do Software Livre em Natal

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Posted on : 04-08-2010 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Cultura, Software Livre, Tecnologia

O IV Encontro Nordestino de Software Livre & IV Encontro Potiguar de Software Livre (IV ENSL) é um evento que ocorrerá em Natal-RN, a cidade do sol, nos dias 5 e 6 de novembro de 2010, no Praiamar Hotel & Convention. O evento é organizado pelo Projeto Software Livre RN (PSL-RN) em parceria com o SEBRAE-RN e tem, assim como o PSL-RN, o objetivo principal de promover o uso e desenvolvimento de Softwares Livres como uma alternativa de liberdade de expressão, econômica e tecnológica. Dessa forma, o PSL-RN recebe, com muito orgulho, o evento regional e pretende realizar o maior encontro sobre cultura livre realizado no Nordeste.

No IV ENSL serão apresentadas palestras técnicas, painéis e casos de sucesso em empresas, instituições de ensino e órgãos públicos com o uso e desenvolvimento de Software Livre. Esse ano, em especial, dentro do IV ENSL também ocorrerão o VII Fórum GNOME e o III Fórum KDE, ambos eventos de âmbito nacional. O público estimado para esta edição do evento é composto por profissionais e entusiastas da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), professores e estudantes, reunindo representantes das esferas empresarial, governamental, acadêmica e da sociedade civil.

As temáticas prioritárias do IV ENSL, que guiarão a sua programação, são: Casos de Sucesso e Negócios; Cultura Livre; Desenvolvimento; Educação e Inclusão digital; Ferramentas e Soluções; Segurança e Redes. Dessa forma, o evento buscará gerar negócios e renda através da democratização do conhecimento tecnológico, além de promover a inclusão digital para a comunidade. Através de todas essas iniciativas, o IV ENSL visa estimular o desenvolvimento tecnológico local, através do uso e desenvolvimento de Softwares Livres.

Em breve, anunciaremos a chamada de trabalho para que a comunidade colabore com o conteúdo do evento.

Venha discutir software livre e rever amigos no calor do Nordeste.

http://www.ensl.org.br
http://identi.ca/ensl

Elvis Presley do sertão

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Posted on : 17-05-2010 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura

Um amigo meu, nascido numa pequena cidade do interior do nordeste, me contou uma vez como a televisão resolveu um mistério aparentemente insolúvel da sua adolescência. Até o fim dos anos setenta não tinha TV na sua cidade. Os poucos transmissores disponíveis no Nordeste estavam nas grandes cidades. Quem tinha a chance de conhecer as maravilhas de Hollywood, tinha muita história pra contar em casa.

Orgulhosos de seu “conhecimento cultural” do mundo, os escolhidos davam nomes esquisitos pra suas crianças, tais como Lincoln, Washington ou Roosevelt. Na cidadezinha mesma, só chegavam notícias do mundo lá fora através do programa de rádio “Voz do Brasil”, mas também somente quando se dispunha do luxo de possuir um rádio em casa.

Assim cresceu meu amigo com os velhos discos do pai, ouvindo as grandes vozes da música brasileira, como as “músicas de dor-de-cotovelo” de Nelson Gonçalves, Maysa ou Núbia Lafaiete. Sem esquecer da “rainha do rádio brasileiro”, a “Sapoti” Ângela Maria; do “ébrio” Vicente Celestino ou da mulata Eliseth Cardoso…

Um certo dia chega uma prima do meu amigo de visita. Ela mora com sua família na capital. Banhada em lágrimas, ela conta que Elvis Presley morreu. Para meu amigo esse nome soava um pouco estranho, mas diante do fato dos filhos da vizinha se chamarem Franklin e Frankla, Disneilândio, Disneiuolde, Ualdisnei, Dondiego e Durangoquide, ele presumiu que se tratava de um parente distante, talvez um primo desconhecido. Envergonhado, não teve coragem de perguntar exatamente de quem se tratava. Ficou em dúvida durante anos, apesar de não conseguir se lembrar de ninguém da família com um nome tão esquisito.

Com a chegada da televisão em sua cidade, anos depois, seus olhos foram abertos. Quão irreal pode ser a realidade: somente depois que o rebolado de Elvis Presley se aquietou para sempre, foi que ele entrou na consciência do meu amigo. Pode existir uma prova melhor de que a vitória global da TV dá ao mundo o mesmo ritmo, que se espalha ruidosamente por todas as partes?

Retirado do texto Brasil: Elvis Presley e o homem-da-cobra, de Thomas Milz

No Nordeste é diferente, é assim que a gente fala

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Posted on : 15-01-2010 | By : Mário Aragão | In : Citações, Cultura

O nome do cordelista é Ismael Gaião da Costa, nasceu em Recife-PE.

Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE – Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.

Publicou 20 (vinte) Cordéis e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais). É filiado à UNICORDEL – União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores. Assina a Coluna COLCHA DE RETALHOS, no JORNAL DA BESTA FUBANA – uma gazeta da bixiga lixa (Blog), Condado-PE, em 07 de maio de 1961.

Ganhador da 4ª RECITATA – 2009(concurso de poesia declamada) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com nota 10 (dez) no Júri Popular, declamando a poesia MENINO DE RUA.

O Cordel:

Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto

Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar

Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar

Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado

Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar

Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha

Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala

Veja mais textos de Ismael no Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=50436

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