Casamento Civil

No intuíto de divulgar aos amigos e informar aos que vi por aqui ou por ali discorrendo sem nexo sobre: “Caso candidato fulano ganhar, casamento de gays vai ser obrigado na igreja”. Com ajuda do texto do Paulo Simas, seguem as informações.

Casamento civil não é uma “questão religiosa”. Não importa se é homossexual, bissexual, panssexual ou heterossexual. Está no parágrafo primeiro do artigo 226 da Constituição Federal: “O casamento é civil e gratuita a celebração”. Se é civil não pode ser religioso, oras.

Civil é o “que não é militar nem eclesiástico ou religioso”, já ensina o Dicionário.

Enquanto um é um ritual feito num templo por um sacerdote, o outro é um procedimento jurídico conduzido num cartório por um juiz de paz. Coisas bem diferentes, não?

É certo que o casamento civil originou-se do religioso, e talvez daí decorra a confusão que a maioria das pessoas faz. Mas a partir do momento em que virou lei, que entrou na esfera do Estado, deixou de ter qualquer relação com religiões. É assim que funciona num Estado laico, como o brasileiro. Aliás, é exatamente por essa razão que o casamento civil foi criado: para acabar com a exclusividade religiosa sobre as uniões amorosas, fortalecendo o papel do Estado que nada tem a ver com o da Igreja.

No entanto, muitos presidenciáveis e sacanas insistem em tratar o assunto como algo sagrado, místico, numa tentativa clara de agradar às lideranças cristãs.

E por último, pessoas com um mínimo de instrução ou discernimento, saberão que alguém só casará na SUA igreja e na SUA religião se participar da mesma. Um casal só vai querer casar em determinada religião, se ele já frenquenta suas igrejas, acredita e respeita seus dogmas e é apoiado pelos demais fieis/irmãos.

5 comentários sobre “Casamento Civil”

  1. Esdras6 de outubro de 2010 às 13:00

    E o pior é que, sob esse discurso tratado na esfera religiosa, a Marina Silva propõe plebiscitos para temas polêmicos, como aborto e casamento entre homossexuais. Dessa forma, o Estado vai se abster do seu papel de tratar todos igualmente perante a lei e deixar o povo debater isso.

    Mas e aí? Depois vamos deixar o povo discutir Economia também? O que o povo entende de dívida externa, de Risco Brasil? Pra mim, o mesmo que entende de leis que regem o casamento.

    Quando eu escolho um candidato, eu estou delegando a tarefa de tomar essas decisões para alguém cujas colocações pareçam as minhas, mas que tenha mais competência para tanto. Não quero plebiscitos.

  2. Rafael Carneiro6 de outubro de 2010 às 16:42

    Eu vejo esse assunto na esfera política como uma forma de fazer propaganda, nada mais que isso. Não li o post que você citou, mas você deixou bem claro a diferença do casamento civil para o religioso.

    Eu considero isso uma falação dos políticos e nada relacionado a isso vai mudar a decisão sobre o meu voto.

  3. Feliciano6 de outubro de 2010 às 16:47

    texto perfeito
    sem arestas a aparar..sem nada a acrescentar!
    O estado brasileiro se separou da igreja desde a proclamação da República.

    É uma que algumas pessoas ainda sejam inocentemente manobradas por falácias.

  4. Eder Mileno6 de outubro de 2010 às 16:52

    O texto é bem claro.
    O problema das confusões entre religião e Estado perpassa pela formação histórica local. Mas isso pode e dever ser esclarecido. Tarefa árdua, porém possível.

    Contrário ao Esdras, acredito na participação popular nas decisões.

    Saudações Geográficas

  5. Breno Gomes Fernandes6 de outubro de 2010 às 20:10

    Bom post.

    O ar místico nunca atingiu ninguém, atingiu ? Em uma eleição, querem se abastar de seguidores, mitigam setores com insólitos depoimentos.

    Neste quesito, vou muito com a cara limpa do ex-candidato do Partido Socialismo e Liberdade, que felizmente não procura enganar ou fazer desvios de oralidade.

    A sociedade e nós mesmos continuaremos a amadurecer, dolorosamente.

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