Brasil, comportamento na terra das parcelas

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Posted on : 01-02-2010 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura

Cultura e comportamento sempre me atraem, comparações e variações nos permitem análises e críticas sobre o nosso cotidiano e o quanto somos influenciáveis. Seguem abaixo alguns dados e textos que li esses dias:

A Visa atua em 200 países, só no Brasil e em outros 5 lugares dá para fazer compras parceladas com os cartões.

Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe essa opção. “No Brasil, o parcelamento é uma forma de competir com o cheque pré-datado, algo típico daqui”, diz Percival Jatobá, diretor da Visa no Brasil. Mais de 30% das compras feitas com cartão de crédito da Visa no país são divididas ao longo dos meses.

As informações acima fazem parte de uma matéria da revista Super Interessante, edição de fevereiro de 2010, intitulada “COMO AS EMPRESAS ENXERGAM VOCÊ“, há muitos dados sobre o comportamento e gosto dos brasileiros, alguns bem previsíveis como o fato de que apartamento sem churrasqueira não vende no Sul.

Veja também apresentação do estudo sobre o Mercado de consumo brasileiro em suas várias regiões, feito pela nielsen:

Metrosexuais
Engraçado, jurava que a coisa era bem diferente, mas no quesito vaidade, o homem brasileiro é um mercado e tanto para as empresas de cosméticos. Os brasileiros tendem a usar mais produtos para rosto, por exemplo, do que os homens de outros países. Enquanto 30% dos daqui se dizem interessados nesses produtos, só 16% na Espanha e 12% na Austrália deram a mesma resposta.

Invisíveis
A Região Norte do Brasil simplesmente não aparece nas pesquisas sobre os hábitos dos brasileiros como as da Nielsen ou Tecnisa. Será que esse povo não conta? 7% da população brasileira não é um mercado lucrativo? Não sei, mas nossos irmãos do Norte, parecem invisíveis para o mercado.

Preconceito?
Nordeste Low-Tech
Às vezes, as estatísticas parecem nos soar como preconceituosas, segundo as mesmas Gadgets não são muito a onda dos nordestinos. E na verdade, se olharmos para os números, não são. A Consul, por exemplo, teve que retroceder na tecnologia para vender mais microondas no Nordeste. Em julho de 2008 lançou um novo modelo com um antiquado botão giratório. Touch Screen nem pensar! Justificativa? Apenas 4% dos lares do Nordeste têm microondas, muita gente está comprando seu primeiro aparelho e querem sempre o mais fácil de usar.

II Encontro Livre

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Posted on : 25-01-2010 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Cultura, Software Livre, Tecnologia

Já estão abertas as inscrições para o II Encontro Livre – Disseminando a Cultura e Conheci­mento, que será realizado entre os dias 10 e 12 de março, na Livraria Cultura, em Recife. O e­vento tem como objetivo promover o diálogo entre a Cultura Livre e os demais assuntos que permeiam sua construção (Tecnologia, Software Livre, Meio Ambiente, Propriedade Intelectual, Igualdade de Gênero, Comunicação Livre e Arte) através de edições temáticas. O Encontro é aberto ao público e gratuito, mas para participar é necessário efetuar a pré-inscrição no site (http://encontrolivre.org).

encontrolivre

Lula, Mandela, Darwin e Paulo Francis

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Posted on : 27-12-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura, Filmes, Política

O que esses sujeitos têm em comum?

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Todos terão um filme, relatando algum momento de suas vidas, que estreará nas telonas no próximo mês de janeiro.

Lula, o Filho do Brasil
O filme conta a história de Luís Inácio da Silva, de seu nascimento, no sertão nordestino até 1980, quando se transformou em líder sindical em São Paulo. Lula será interpretado por Rui Ricardo Dias e sua mãe Dona Lindu por Glória Pires.

É de longe a mais famosa e criticada, dessas estréias, em nossas Terras Tupiniquins. Segundo sua oposição política, o filme é eleitoreiro e trata a vida de Lula sem defeitos o transformando em Herói em pleno ano eleitoral. As críticas porém, podem ter um efeito contrário e embalar ainda mais a audiência do longa.

Estréia: 1º de janeiro.

Invictus

Trata do momento em que Nelson Mandela, estrelado por Morgan Freeman, sai da prisão em 1990 e torna-se presidente em 1994. Mandela une forças com um símbolo marcante da segregação racial na Ãfrica do Sul: o rúgbi.

François Pienaar, estrelado por Matt Damon, capitão do time Springboks é conquistado por Mandela, que mostra seus planos de consolidar o fim do Apartheid. A Ãfrica do Sul sagra-se campeã da Copa do Mundo de Rúgbi daquele ano e consegue um grande passo na busca da união racial no país.

Estréia: 29 de janeiro.

Creation
O naturalista inglês Charles Darwin, estrelado por Paul Bettany, discute suas teorias revolucionárias sobre a evolução das espécies com sua mulher uma religiosa convicta.

Estréia: 29 de janeiro.

Caro Francis
O jornalista brasileiro Paulo Francis é homenageado nesse documentário que traça suas múltiplas facetas.

Estréia: 8 de janeiro.

Críticas a parte, a biografia, ou parte dela, dessas personalidades com certeza rendem boas histórias e reflexões. Pretendo ver todos.

Feliz 2010!

Comportamento dos internautas brasileiros em mídias sociais

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Posted on : 27-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura, Tecnologia
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TI – Mercado em alta, profissionais em baixa

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Posted on : 26-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Software Livre, Tecnologia

Segundo dados da Softex, a indústria brasileira de TI deve ter um crescimento de 9,3% frente aos registrados em 2008. Estima-se que o setor irá movimentar R$ 57,7 bilhões em 2010, que representará novamente um crescimento de 9,2% em relação a este ano.

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Dados da pesquisa dizem que o Brasil fechará 2009 com cerca de 67,85 mil empresas, atuando no mercado de TI, e aproximadamente 70 mil em 2010. O número de profissionais que trabalham nesse mercado, que era de 380 mil em 2008, será de 540 mil neste ano e atingirá 600 mil em 2010.

O mercado de TI enfrentará uma forte escassez de profissionais nos próximos anos. Segundo o estudo, se as projeções de crescimento do mercado se confirmarem, haverá um déficit de 130 mil profissionais em 2013.

A comemoração dos mortos

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Posted on : 02-11-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura

A religião, essa sublime epopéia do coração humano, tem um símbolo para cada sentimento, uma imagem para todos os acidentes da nossa existência.

É aos pés do altar que o homem vê abrir-se para ele a fonte de todas as supremas venturas deste mundo – a família; e, quando o sopro da desgraça vai desfolhando uma a uma as flores da vida, é ainda aos pés do altar que achamos o consolo para as grandes dores, a esperança nos maiores infortúnios.

Quantas vezes no seio das alegrias e dos prazeres, quando nossos olhos vêem tudo cor-de-rosa, quando o ar que respiramos parece vir perfumado dos bafejos da ventura, não sentimos de chofre o coração apertar-se como tomado por um doloroso pressentimento, e a alma confranger-se numa angústia pungente?

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Também às vezes a fortuna nos embala docemente, e a ambição nos empresta suas asas de ouro, ao passo que a glória envolve-nos com a sua auréola brilhante. Então o homem caminha com os olhos fitos na sua estrela, e com a cabeça alta passa sem perceber as misérias do mundo. Sublimi feriam sidera vértice.

Mas lá vem um dia, uma hora, um instante em que o corpo verga com o peso de tanta grandeza, e a cabeça acurva-se para a terra. Os olhos que mediam o espaço vacilam; a vista que se dilatava pelos horizontes e ousava sondar os arcanos do futuro quebra-se de encontro a uma lousa, a um fosso, onde a pá do coveiro traçou num estreito quadrado e com um pouco de terra revolvida o emblema daquela sentença do Eclesiástico: Vanitas vanitatum et omnia vanitas!

Se, porém a religião é severa nos seus conselhos, se durante os dias de paz e de ventura fortifica o homem por meio da tristeza, na dor ao contrário é de uma bondade inefável.

Nem uma fibra palpita no corpo humano, nem uma pulsação abala o coração, nem um soluço arqueja num peito quebrado pelo sofrimento, que não ache nela um eco, uma voz que lhe responda.

A vida humana se resume na religião; nela se acha a essência de todos os grandes sentimentos do homem e de todas as grandes coisas do mundo.

Quando se folheia este livro da vida, e que se chega à última página – à morte – quando a alma, em face do nada sente-se tomada desta grande e assombrosa ameaça do completo aniquilamento, é que se sente quanto há de consolador na religião.

Entre as sombras da dúvida, entre o vago do infinito, a eternidade surge para nossa alma como uma dessas estrelas furtivas que brilham entre o Cris negro da tempestade, e que guiam o nauta perdido na vasta amplidão dos mares.

Se queres ler a legenda desta crença sublime de todos os povos e de todos os tempos, ide no dia 2 de novembro, dia que a igreja destinou à comemoração dos finados, fazer uma visita aos nossos cemitérios.

Haveis de sentir calar-vos dentro d’alma um eflúvio consolador, quando virdes toda aquela piedosa romaria que percorre as aléias formadas pelos túmulos, relendo entre o pranto as letras de um epitáfio singelo, e espargindo sobre a lousa alguma s flores misturadas de lágrimas e de preces.

Este aspecto de uma multidão forte e cheia de vida prostrada ante as cinzas de alguns mortos não exprime alguma coisa de misterioso, alguma coisa de incompreensível, que decerto se prende a esse religioso culto dos túmulos sempre venerado por todos os povos?

Para que o homem venha assim cada ano avivar uma dor quase extinta, e ver refletir-se na lousa da campa os transes acerbos de uma triste provança já acalmada pelo correr dos tempos, é necessário a força irresistível da verdade revelada pelos impulsos do coração.

Sem isto, não é possível compreender-se o respeito que votamos aos mortos, nem essa melancólica poesia da saudade que inspira a religião dos túmulos.

É verdade; mas os restos dos mortos encerram de envolta com as recordações deste mundo as esperanças de outra vida.

Adaptado do Folhetim de José de Alencar, no Correio Mercantil de 5 de Novembro de 1854

Xampu movimenta milhões

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Posted on : 27-10-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura, Mundo, Propaganda

Muito bom o último artigo de Renata Betti para a Veja. Acompanharam todo o investimento da Unilever, para transformar sua linha Seda de xampus, novamente no pupilo da classe C, que agora é uma classe exigente e que mais movimenta o país: “a classe C, público-alvo do xampu, não queria mais um produto que, agora, via como de segunda linha e muito popular

Compartilho o artigo:

Só sobrou a marca
A transformação do xampu Seda mostra tudo
o que é preciso para tentar mudar a imagem que
o consumidor tem de um produto

No dia 5 de março de 2009, um grupo de executivos da Unilever trancou-se por doze horas numa sala da sede em São Paulo para discutir um problema que, eles já sabiam, seria de difícil solução: um dos carros-chefe da empresa, o xampu Seda, líder de vendas no Brasil, perdia espaço no mercado – coisa que, desde seu lançamento, em 1968, jamais havia acontecido. As pesquisas, encomendadas pelo francês Patrick Cescau, então CEO mundial da multinacional de bens de consumo – que fatura por ano 55 bilhões de dólares, ou três vezes o PIB da Bolívia –, não deixavam dúvidas quanto à razão da queda: a classe C, público-alvo do xampu, não queria mais um produto que, agora, via como de “segunda linha” e “muito popular”. “A nova aspiração da classe C brasileira é usar xampus melhores, de preferência indicados pelos cabeleireiros”, concluía o estudo, dando início a um longo processo em que o velho Seda precisou ser inteiramente reinventado até, neste mês, chegar às lojas. Da embalagem à fórmula, só restou mesmo o nome, sobre o qual também passou a pesar certa desconfiança. Um dos testes mostrou que, às cegas, as pessoas até avaliavam bem o Seda, mas, quando sabiam tratar-se dele, as notas caíam. “Chegamos a cogitar abrir mão da marca”, diz um dos diretores da empresa no Brasil, Erik Galardi, à frente da operação que consumirá 125 milhões de reais – o maior investimento já feito pela Unilever numa marca para o mercado brasileiro, o segundo maior do mundo no segmento de produtos para cabelo, com vendas anuais de 5,4 bilhões de reais, só perdendo para o Japão.

Recriar um produto se torna, muitas vezes, imperativo para que ele sobreviva a mudanças demográficas, econômicas e de hábitos numa sociedade – mas não é um processo fácil. As empresas precisam lançar mão de um extenso repertório de técnicas já consagradas pelo marketing para fisgar o consumidor. “O público é alvo de estratégias milimetricamente concebidas para fazê-lo comprar”, diz Alejandro Pinedo, da consultoria Interbrand. Nos últimos meses, VEJA pôde comprovar isso ao acompanhar as dezenas de etapas e tomadas de decisão envolvidas no relançamento do xampu. A Unilever conduziu doze pesquisas, em que foram ouvidas 500 pessoas, parte delas sendo observada no ato da compra. Nenhuma estratégia foi traçada sem pesar tais informações, um conjunto de dados tão rico e detalhado que, tomado como base, permitiu saber até de que maneira os consumidores manuseavam o xampu no supermercado. Como o antigo frasco tinha concavidades acentuadas, era difícil pegar um na prateleira sem tirar os demais do lugar. Os produtos se desarranjavam e a marca acabava escondida – um desastre para as vendas. Até chegar ao formato atual, mais fino e convexo, criou-se uma dezena de embalagens. Elas foram sendo descartadas depois de submetidas a testes conhecidos como eye tracking, em que uma máquina monitora o movimento dos olhos e detecta os pontos que mais chamam a atenção das pessoas. Assim se decidiu, por exemplo, por um tom de roxo ligeiramente mais vibrante que o anterior. São mudanças aparentemente simples, mas que demandaram uma adaptação em todo o maquinário da fábrica.

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Os especialistas definem o desafio da Unilever como o mais complicado de todos em se tratando da mudança de imagem de um produto: fazer que os consumidores percebam como “chique” um item que há décadas é visto como popular. “A experiência mostra que elevar o conceito que as pessoas têm de uma marca é sempre muito difícil”, diz Edson Crescitelli, diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Os casos recentes da Philco e da Arno, ambas do ramo de eletroeletrônicos, ajudam a dimensionar as dificuldades. Já consolidadas na classe C, as duas decidiram, coisa de cinco anos atrás, começar também a produzir itens para estratos de renda mais altos. Por mais que investissem em inovação e marketing, no entanto, não conseguiram convencer ninguém. Pior: além de não conquistarem clientes na classe A, perderam os da C, que ficaram confusos com a mudança. No caso da Unilever, a equação é ainda mais complexa: trata-se de alterar a percepção sobre um mesmo produto. Uma das principais estratégias da empresa foi convidar para prestar consultoria técnica e estrelar campanhas publicitárias um grupo de sete cabeleireiros de renome mundial, entre os quais Yuko Yamashita, criadora da escova japonesa. Não foi fácil convencê-los a participar. A cada “sim”, havia festa no escritório. “É uma tentativa de quebrar o preconceito dos cabeleireiros brasileiros em relação ao Seda e levá-los a indicar o produto aos clientes”, diz Adriana Yamamoto, gerente de marketing da linha de xampus. “Nesse mercado, nada é melhor que o boca a boca.”

Apesar de a Unilever já ter feito ajustes em seu principal xampu antes, eles foram sempre superficiais, e às vezes malsucedidos. Em janeiro de 2008, o Seda ressurgiu em embalagens ultracoloridas e com novo logotipo, na pretensão de ganhar espaço entre xampus mais sofisticados. A propaganda foi maciça, mas o resultado, pífio: os gastos chegaram a 30 milhões de reais sem que as vendas, então estabilizadas, voltassem a subir. “Foi um erro primário. As pessoas perceberam no ato que o produto não havia realmente mudado”, reconhece o diretor Erik Galardi. Desta vez, nada ficou de pé. A fórmula, que era composta de ingredientes “de nível inferior”, segundo a própria Unilever, ganhou ingredientes 20% mais caros. Espera-se com isso reduzir as queixas que circulam na internet de que o Seda deixa o cabelo “armado” ou “parecendo palha”. Quanto à fragrância, que desaparecia por ausência de fixador na fórmula, agora ela é duradoura – o que, segundo as pesquisas, se tornou pré-requisito para as brasileiras. Nem a textura ficou como antes. Líquida demais, aos olhos da nova classe C ela passou a ser identificada com produtos de pior qualidade. Ao colocarem uma porção do velho Seda nas mãos, as pessoas desistiam de comprá-lo, como foi observado em supermercados de todo o país. Daí a atual consistência, mais espessa. Tais melhorias elevaram os custos de produção em 20%, enquanto o preço final do xampu encareceu apenas 10%. “Fomos forçados a encolher as margens de lucro para manter o preço acessível”, diz Galardi. O teto para gastos com xampus na classe C é de 5 reais – o Seda subiu de 4,30 para 4,80 reais.

Os grandes planos de uma empresa global como a Unilever são traçados com no mínimo quatro anos de antecedência e vêm da matriz, em Londres. Assim, ficou estabelecida, no início de 2008, a meta de que a operação da multinacional no Brasil, hoje a terceira do grupo, se tornaria a segunda mais rentável da Unilever até 2012 – ultrapassando a dos Estados Unidos e perdendo apenas para a da Inglaterra. Há, no entanto, espaço para mudanças de rumo diante de situações inesperadas, como foi o caso do xampu Seda. Com as vendas caindo mês a mês no Brasil em 2008, foi a própria matriz que tomou a decisão de transformar o produto, deixando as estratégias por conta dos executivos brasileiros. Como em nenhum outro país se consome mais Seda do que aqui (trata-se de aproximadamente 20 milhões de unidades por mês), o negócio se justifica. Pouco a pouco, o mesmo produto substituirá a antiga versão nos 100 países em que a Unilever está presente – só que com nomes diferentes (Sedal, em países de língua espanhola, e Sunsilk, nos demais). Hoje, o segmento de xampus no Brasil é muito diferente daquele do fim da década de 60, quando a maioria dos brasileiros ainda lavava o cabelo com sabão de coco. De menos de cinco fabricantes no país, chegou-se aos atuais 2.000. A Unilever detém 34% do mercado, que faturou 1,7 bilhão de reais em 2008. É um bom quinhão, que a concorrência, no entanto, tornou mais difícil manter.

Ao Correr da Pena

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Posted on : 26-10-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura

Uma boa dica de livro, é justamente o do título desse post: Ao Correr da Pena. Escrito por um jovem José de Alencar, ainda não maduro ou amargo por assim dizer, o livro é uma coletânia de seus folhetins escritos entre 1854 e 1856, muitos dizem gostar do livro porque podem traçar um perfil intelectual do escritor ou perceber sua evolução, indico a obra por se tratar de uma coletânea de ascedentes das crônicas, os folhetins, que tinham como regra principal comentar, no jornal dominical, os acontecimentos semanais daquela época, o Rio de Janeiro do século XIX, porém não se podia perder a leveza e a graça, pois devia ser também literatura e não apenas um mero texto jornalístico, e é isso que me fascina. Literatura e documento histórico, poder comparar as épocas, reviver a política e acontecimentos distantes e desfrutar de uma obra harmônica, literária.

As coisas às vezes parecem não mudar muito, veja esse trecho do Folhetim de 29 de Outubro de 1854, sobre o Passeio Público do Rio de Janeiro, não há como não comparar com os atuais Passeios Públicos e com a pressa de nossas vidas cotidianas:

Quando estiverdes de bom humor e numa excelente disposição de espírito, aproveitai uma dessas belas tardes de verão como tem feito nos últimos dias, e ide passar algumas horas no Passeio Público, onde ao menos gozareis a sombra das árvores e um ar puro e fresco, e estareis livres da poeira e do incômodo rodar dos ônibus e das carroças.

Talvez que, contemplando aquelas velhas e toscas alamedas com suas grades quebradas e suas árvores mirradas e carcomidas, e vendo o descuido e a negligência que reina em tudo isto, vos acudam ao espírito as mesmas reflexões que me assaltaram a mim e a um amigo meu, que há cerca de um ano teve a habilidade de transformar em uma semana uma tarde no Passeio público.

[...]

Contudo parece-me que o estado vergonhoso do nosso Passeio Público não é unicamente devido à falta de zelo da parte do governo, mas também aos nossos usos e costumes, e especialmente a uns certos hábitos caseiros e preguiçosos, que têm a força de fechar-nos em casa dia e noite.

Nós que macaqueamos dos franceses tudo quanto eles têm de mau, de ridículo e de grotesco, nós que gastamos todo o nosso dinheiro brasileiro para transformar-nos em bonecos e bonecas parisienses, ainda não nos lembramos de imitar uma das melhores coisas que eles têm, uma coisa que eles inventaram, que lhes é peculiar e que não existe em nenhum outro país a menos que não seja uma pálida imitação: a flânerie.

Sabeis o que é a flânerie? É o passeio ao ar livre, feito lenta e vagarosamente, conversando ou cismando, contemplando a beleza natural ou a beleza da arte; variando a cada momento de aspectos e de impressões. O companheiro inseparável do homem quando flana é o charuto; o da senhora é o seu buquê de flores.

O que há de mais encantador e de mais apreciável na flânerie é que ela não produz unicamente o movimento material, mas também o exercício moral. Tudo no homem passeia: o corpo e a alma, os olhos e a imaginação. Tudo se agita; porém é uma agitação doce e calma, que excita o espírito e a fantasia, e provoca deliciosas emoções.

Mas entre nós ninguém dá apreço a isto. Contanto que se vá ao baile do tom, à ópera nova, que se pilhem duas ou três constipações por mês e uma tísica por ano, a boa sociedade se diverte; e do alto de seu cupê aristocrático lança um olhar de soberano desprezo para esses passeios pedestres, que os charlatães dizem ser uma condição da vida e de bem-estar, mas que enfim não têm a agradável emoção dos trancos, e não dão a um homem a figura de um boneco de engonço a fazer caretas e a deslocar os ombros entre as almofadas de uma carruagem.

A boa sociedade não precisa passear; tem à sua disposição muitos divertimentos, e não deve por conseguinte invejar esse mesquinho passatempo do caixeiro e do estudante. O passeio é a distração do pobre, que não tem saraus e reuniões.

Entretanto, se por acaso encontrardes o diabo Coxo de Lesage, pedi-lhe que vos acompanhe em alguma nova excursão aérea, e que vos destampe os telhados das casas da cidade; e, se for noite em que a Charton esteja doente e o Cassino fechado, vereis que a atmosfera de tédio e monotonia encontrareis nessas habitações, cujos moradores não passeiam nunca, porque se divertem de uma maneira extraordinária.

Felizmente creio que vamos ter breve uma salutar modificação nesta maneira de pensar. As obras para a iluminação a gás do Passeio Público e alguns outros reparos e melhoramentos necessários já começaram e brevemente estarão concluídos.

Entretanto o Sr. Ministro que se acautele, e pense maduramente nesses melhoramentos que está promovendo. São úteis, são vantajosos; nós sofremos com a sua falta, e esperamos ansiosamente a sua realização. Mas, se há nisto uma incompetência de jurisdição, nessa caso, perca-se tudo, contanto que salve-se o princípio: Quod Dei Deo, quod Cesaris Cesare..

Em outro Folhetim, onde comenta sobre a chegada das máquinas de costura, José de Alencar consegue de forma elegante posar ao lado de opiniões contrárias a automação industrial:

Dizem que o espírito da indústria tem despoetizado todas as artes, e que as máquinas vão reduzindo o mais belo trabalho a um movimento monótono e regular, que detrói todas as emoções e transforma o homem num autômato escravo de outro autômato.

A coletânea foi organizada pela primeira vez por José Maria Vaz Pinto Coelho em 1874:

Por sua valia histórico-literária, ainda mais que por suas louçania de estilo, estes folhetins não deviam continuar a viver dispersos como folhas soltas, que tivessem servido apenas a satisfazer exigências transitórias.

Muitas outras edições foram lançadas no decorrer dos anos. A edição atual de Ao Correr da Pena, foi organizada por João Roberto Faria em 2004, como obra da coleção Cronistas e Contistas do Brasil, e pode ser adquirida no Submarino por 9,90 ou em outras livrarias.

aocorrer

Foram utilizados para cotejo e estabelecimento dos textos as seguintes edições:
Ao correr da pena (org. de J. M. Vaz Pinto Coelho). São Paulo, 1874.
Ao correr da pena (org. de Francisco de Assis Barbosa). São Paulo: Melhoramentos, 1956.
“Ao correr da pena”. In: José de Alencar, Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960, vol. 4, pp. 636-848.
Atualizou-se a ortografia e manteve-se a pontuação original.

Existe também uma versão grátis(não tão bem organizada) no Domínio Público, baixe-a e boa leitura.

7 de setembro de 1922 – Olha o rádio!

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Posted on : 30-08-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Citações, Cultura, Tecnologia

Na Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência do Brasil, foi realizada a primeira transmissão radiofônica do país. A Westinghouse Electric, junto com a Companhia Telefônica Brasileira, instala no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, uma estação de 500 W, inaugurada com um discurso do presidente Epitácio Pessoa. Seguem-se emissões de música lírica, conferências e concertos, captados pelos 80 aparelhos de rádio distribuídos pela cidade.

Histórico
As primeiras transmissões de rádio são do século 19, mas só depois da Primeira Guerra a radiodifusão chegou, de fato, à população civil. A Westinghouse, empresa americana que fabricava os aparelhos para as tropas europeias, se viu com um excedente encalhado. Para evitar o prejuízo, a empresa instalou uma grande antena no pátio da fábrica e transmitiu música aos moradores de um bairro de Pittsburgh, deu certo, e os aparelhos foram vendidos.

No Brasil, o rádio só se tornou popular, uma década depois daquele feriado de 7 de Setembro.

Fonte: Aventuras na História e História do Rádio no Brasil

Dalits brasileiros

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Posted on : 28-08-2009 | By : Mário Aragão | In : Brasil, Cultura, Diarinho, Ladroagem, Política

Sempre que falam em Dalits na novela Caminho das Ãndias, da Globo, vem a minha cabeça uma comparação dos de lá com os de cá.

Os Intocáveis:

renan-calheiros

collor-de-melo

sarney

Só que os daqui são ricos, mas como na crença de lá, os de cá são nefastos… de verdade.

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